Pessoal,
com um introdução que fiz ao caso guianense e a apresentação do Fabiano dos 2 capítulos do Santilli, foi-se a aula do último dia 20/09.
Como fizemos algumas reformulações que explico abaixo, ganhamos uma aula e mantivemos para o dia 27/10 a continuação das discussões sobre o caso guianense.
Então ficamos assim:
Dia 27/09 - Continuação do caso guianense
BUTT-COLSON, Audrey - “The spatial component in the political structure of the Caribe speakers of the Guiana highlands: Kapon and Pemon” In Antropologica, 1983-1984, 59-62: 73-124.
GALLOIS, Dominique T. (Org.) – “Gêneses wajãpi, entre diversos e diferentes” In: Revista de Antropologia, 2007, vol. 50, n. 1.
GRUPIONI, Denise Fajardo – ‘Comparando taxonomias sociais, investigando noções de gente’ Paper apresentado na VIII RAM, Buenos Aires, 2009.
Dia 04/10
Levi-Strauss
Bruce-Albert
Peter Gow
Carlos Fausto
Dia 11/10
Emenda de feriado
Dia 18/10 aula transferida para dia 22/10 (sexta) no NHII, 14:00
Seminário com Vanessa Lea
Dia 25/10
Semana da Anpocs
Dia 08/11 - O caso melanésio
WAGNER, Roy - “Are There Social Groups in the New Guinea Highlands?”. In: J. M. Leaf (ed.). Frontiers of Anthropology. New York: D. van Nostrand. 1974, pp. 95-122.
_____________ – The Fractal Person In Godelier e Strathern (orgs.) Big men and great men: personification of power in Melanesia. Cambridge Univ. Press. Sciences de l´Homme. 1991, pp: 159-173.
Dia 15/11
feriado
Dia 22/11 - As socialidades sul-ameríndias: discussões recentes
PASSES, Alan – ‘Not alone in the multiverse: borrowing from others, remining Pa’ikwené (Palikur) Paper inédito apresentado no Colóquio Guiana Ameríndia. Orgs.NHII/USP & EREA/CNRS, Bélem/PA, 2006.
GOW, Peter - Of Mixed Blood - New York: Clarendon Press/Oxford, 1991.
___________ - “Piro, Apurinã, and Campa: Social Dissimilation and Assimilation as Historical Processes in Southwestern Amazonia”. In: Jonathan D. Hill & Fernando Santos-Granero (eds.). Comparative Arawakan Histories : Rethinking Language Family and Culture Area in Amazonia. Urbana & Chicago : University of Illinois Press. 1991, pp. 147-170.
Viveiros de Castro, Eduardo - O Nativo Relativo. Mana – Estudos de Antropologia Social, Rio de Janeiro, 2002, vol. 8, número 1. pp. 113-148.
Dia 29/11
Encerramento do curso - rodada de projetos de pesquisa
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sábado, 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Textos para o dia 20/09 - "O caso guianense"
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Textos para o dia 30/08 -
Noções de 'gente' a partir do estudo de 'taxonomias sociais nativas'
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Textos para o dia 23/08 – Introdução à problemática
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Cronogramas das aulas
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA
Noção de ‘gente’ no pensamento social ameríndio.
Leituras de etnologia comparada.
FLS – 345
Docente responsável: Denise Fajardo Grupioni
Cronograma das aulas
Dia 09/08 – Apresentação geral do curso
Dia 16/08 – Trabalho em casa
Dia 23/08 – Introdução à problemática
TAYLOR, Anne-Christine - “A invenção do Jivaro. Notas etnográficas sobre um fantasma ocidental” In Antropologia Ecuatoriana, homenagem à Udo Oberem, eds. Abya-Yala, Quito, 1986.
________________ - “Qu’est-ce qu’un ‘ethnonyme’?: L'exemple matis (Amazonas, Brésil)”. In Cahiers Amérique Latine Histoire et Mémoire/Saint-Denis, Université de Paris 8, n° 10, 2004.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo – Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana – Estudos de Antropologia Social. Rio de Janeiro, Museu Nacional/UFRJ, 1996, v. 2, p. 115-144
GORDON, Flávio - “Onomástica e socialidade no sudoeste amazônico: os Kulina (Madiha) do Alto Purus” Paper inédito apresentado no GT “Discutindo fronteiras grupais, étnicas e societárias na Amazônia Indígena” VII RAM Mercosul, Porto Alegre, 2007.
Dia 30/08 - Noções de ‘gente’ a partir do estudo de ‘taxonomias sociais nativas’
TAYLOR, Anne-Christine – ‘L’art de la reduction. La guerre et les mécanismes de la différentiation tribale dans la culture jivaro’. In Journal de la Société des Américanistes, 1985, LXXI, pp: 159-173
TOLA, Florência - Revisando las clasificaciones tobas (qom) de los colectivos humanos. Paper inédito apresentado no GT “Discutindo fronteiras grupais, étnicas e societárias na Amazônia Indígena” VII RAM Mercosul, Porto Alegre, 2007.
Dia 13/09 – A ‘nebulosa’ pano
ERIKSON, Philippe– Une nebuleuse compacte: lê marco-ensemble pano In La remontée de l’Amazone: anthropologie et histoire des sociétés amazoniennes. L´Homme, 1993. 126-128, pp: 45-58
SÁEZ, Oscar Calavia – ‘Nawa, Inawa’ Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, 2002, v.4, n.1, PP. 35-37.
___________________ – O nome e o tempo dos Yaminawa. São Paulo: UNESP: ISA; Rio de Janeiro: NuTI, 2006
LAGROU, Elsje – ‘O que nos diz a arte kaxinawa sobre a relação entre identidade e alteridade? In Mana, 2002, vol.8 no.1
Dia 20/09 – O caso guianenese (oeste)
BUTT-COLSON, Audrey - “The spatial component in the political structure of the Caribe speakers of the Guiana highlands: Kapon and Pemon” In Antropologica, 1983-1984, 59-62: 73-124.
FARAGE, Nádia - As muralhas dos sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a Colonização - Rio de Janeiro: Paz e Terra/Anpocs, 1991.
FOCK, Niels– Waiwai. Religion and Society of na Amazonian Tribe. National Museum of Denmark, Ethnographic Series, 8, 2008.
SANTILLI, Paulo – Os Macuxi: História e Política no Século XX. Dissertação de Mestrado. IFCH/Departamento de Ciências Sociais/UNICAMP. Campinas, 1989.
_______________ – Pemongon Patá: Território Macuxi, Rotas de Conflito. Tese de Doutorado. FFLCH/PPGAS/USP. São Paulo, 1997.
Dia 27/09 – O caso guianense (leste)
FRIKEL, Protásio – Classificação lingüístico-etnológica das tribos indígenas do Pará setentrional e zonas adjacentes In Revista de Antropologia, 1958, 6: 113-189
GALLOIS, Dominique T. (Org.) – “Gêneses wajãpi, entre diversos e diferentes” In: Revista de Antropologia, 2007, vol. 50, n. 1.
GRUPIONI, Denise Fajardo – ‘Comparando taxonomias sociais, investigando noções de gente’ Paper apresentado na VIII RAM, Buenos Aires, 2009.
Dia 04/10 – Rodada de projetos de pesquisa individual (à luz da temática do curso) I
Dia 11/10 – Emenda de feriado
Dia 18/10 – Rodada de projetos de pesquisa individual (à luz da temática do curso) II
Dia 25/10 – Semana da Anpocs
Dia 08/11 – O caso melanésio
WAGNER, Roy - “Are There Social Groups in the New Guinea Highlands?”. In: J. M. Leaf (ed.). Frontiers of Anthropology. New York: D. van Nostrand. 1974, pp. 95-122.
_____________ – The Fractal Person In Godelier e Strathern (orgs.) Big men and great men: personification of power in Melanesia. Cambridge Univ. Press. Sciences de l´Homme. 1991, pp: 159-173.
Dia 15/11 – Feriado
Dia 22/11 – As socialidades sul-ameríndias: discussões recentes
PASSES, Alan – ‘Not alone in the multiverse: borrowing from others, remining Pa’ikwené (Palikur) Paper inédito apresentado no Colóquio Guiana Ameríndia. Orgs.NHII/USP & EREA/CNRS, Bélem/PA, 2006.
GOW, Peter - Of Mixed Blood - New York: Clarendon Press/Oxford, 1991.
___________ - “Piro, Apurinã, and Campa: Social Dissimilation and Assimilation as Historical Processes in Southwestern Amazonia”. In: Jonathan D. Hill & Fernando Santos-Granero (eds.). Comparative Arawakan Histories : Rethinking Language Family and Culture Area in Amazonia. Urbana & Chicago : University of Illinois Press. 1991, pp. 147-170.
Viveiros de Castro, Eduardo - O Nativo Relativo. Mana – Estudos de Antropologia Social, Rio de Janeiro, 2002, vol. 8, número 1. pp. 113-148.
Dia 29/11 – Encerramento do curso
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA
Noção de ‘gente’ no pensamento social ameríndio.
Leituras de etnologia comparada.
FLS – 345
Docente responsável: Denise Fajardo Grupioni
Cronograma das aulas
Dia 09/08 – Apresentação geral do curso
Dia 16/08 – Trabalho em casa
Dia 23/08 – Introdução à problemática
TAYLOR, Anne-Christine - “A invenção do Jivaro. Notas etnográficas sobre um fantasma ocidental” In Antropologia Ecuatoriana, homenagem à Udo Oberem, eds. Abya-Yala, Quito, 1986.
________________ - “Qu’est-ce qu’un ‘ethnonyme’?: L'exemple matis (Amazonas, Brésil)”. In Cahiers Amérique Latine Histoire et Mémoire/Saint-Denis, Université de Paris 8, n° 10, 2004.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo – Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana – Estudos de Antropologia Social. Rio de Janeiro, Museu Nacional/UFRJ, 1996, v. 2, p. 115-144
GORDON, Flávio - “Onomástica e socialidade no sudoeste amazônico: os Kulina (Madiha) do Alto Purus” Paper inédito apresentado no GT “Discutindo fronteiras grupais, étnicas e societárias na Amazônia Indígena” VII RAM Mercosul, Porto Alegre, 2007.
Dia 30/08 - Noções de ‘gente’ a partir do estudo de ‘taxonomias sociais nativas’
TAYLOR, Anne-Christine – ‘L’art de la reduction. La guerre et les mécanismes de la différentiation tribale dans la culture jivaro’. In Journal de la Société des Américanistes, 1985, LXXI, pp: 159-173
TOLA, Florência - Revisando las clasificaciones tobas (qom) de los colectivos humanos. Paper inédito apresentado no GT “Discutindo fronteiras grupais, étnicas e societárias na Amazônia Indígena” VII RAM Mercosul, Porto Alegre, 2007.
Dia 13/09 – A ‘nebulosa’ pano
ERIKSON, Philippe– Une nebuleuse compacte: lê marco-ensemble pano In La remontée de l’Amazone: anthropologie et histoire des sociétés amazoniennes. L´Homme, 1993. 126-128, pp: 45-58
SÁEZ, Oscar Calavia – ‘Nawa, Inawa’ Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, 2002, v.4, n.1, PP. 35-37.
___________________ – O nome e o tempo dos Yaminawa. São Paulo: UNESP: ISA; Rio de Janeiro: NuTI, 2006
LAGROU, Elsje – ‘O que nos diz a arte kaxinawa sobre a relação entre identidade e alteridade? In Mana, 2002, vol.8 no.1
Dia 20/09 – O caso guianenese (oeste)
BUTT-COLSON, Audrey - “The spatial component in the political structure of the Caribe speakers of the Guiana highlands: Kapon and Pemon” In Antropologica, 1983-1984, 59-62: 73-124.
FARAGE, Nádia - As muralhas dos sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a Colonização - Rio de Janeiro: Paz e Terra/Anpocs, 1991.
FOCK, Niels– Waiwai. Religion and Society of na Amazonian Tribe. National Museum of Denmark, Ethnographic Series, 8, 2008.
SANTILLI, Paulo – Os Macuxi: História e Política no Século XX. Dissertação de Mestrado. IFCH/Departamento de Ciências Sociais/UNICAMP. Campinas, 1989.
_______________ – Pemongon Patá: Território Macuxi, Rotas de Conflito. Tese de Doutorado. FFLCH/PPGAS/USP. São Paulo, 1997.
Dia 27/09 – O caso guianense (leste)
FRIKEL, Protásio – Classificação lingüístico-etnológica das tribos indígenas do Pará setentrional e zonas adjacentes In Revista de Antropologia, 1958, 6: 113-189
GALLOIS, Dominique T. (Org.) – “Gêneses wajãpi, entre diversos e diferentes” In: Revista de Antropologia, 2007, vol. 50, n. 1.
GRUPIONI, Denise Fajardo – ‘Comparando taxonomias sociais, investigando noções de gente’ Paper apresentado na VIII RAM, Buenos Aires, 2009.
Dia 04/10 – Rodada de projetos de pesquisa individual (à luz da temática do curso) I
Dia 11/10 – Emenda de feriado
Dia 18/10 – Rodada de projetos de pesquisa individual (à luz da temática do curso) II
Dia 25/10 – Semana da Anpocs
Dia 08/11 – O caso melanésio
WAGNER, Roy - “Are There Social Groups in the New Guinea Highlands?”. In: J. M. Leaf (ed.). Frontiers of Anthropology. New York: D. van Nostrand. 1974, pp. 95-122.
_____________ – The Fractal Person In Godelier e Strathern (orgs.) Big men and great men: personification of power in Melanesia. Cambridge Univ. Press. Sciences de l´Homme. 1991, pp: 159-173.
Dia 15/11 – Feriado
Dia 22/11 – As socialidades sul-ameríndias: discussões recentes
PASSES, Alan – ‘Not alone in the multiverse: borrowing from others, remining Pa’ikwené (Palikur) Paper inédito apresentado no Colóquio Guiana Ameríndia. Orgs.NHII/USP & EREA/CNRS, Bélem/PA, 2006.
GOW, Peter - Of Mixed Blood - New York: Clarendon Press/Oxford, 1991.
___________ - “Piro, Apurinã, and Campa: Social Dissimilation and Assimilation as Historical Processes in Southwestern Amazonia”. In: Jonathan D. Hill & Fernando Santos-Granero (eds.). Comparative Arawakan Histories : Rethinking Language Family and Culture Area in Amazonia. Urbana & Chicago : University of Illinois Press. 1991, pp. 147-170.
Viveiros de Castro, Eduardo - O Nativo Relativo. Mana – Estudos de Antropologia Social, Rio de Janeiro, 2002, vol. 8, número 1. pp. 113-148.
Dia 29/11 – Encerramento do curso
terça-feira, 13 de julho de 2010
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL
Disciplina:
Noção de ‘gente’ no pensamento social ameríndio. Leituras de etnologia comparada.
Créditos - Aula: 4 / Trabalho: 4 / Total: 8
Docente responsável: Profa. Dra. Denise Fajardo Grupioni
Período: 2o Semestre/2010
Início: 09/08
Objetivos:
Este curso tem por objetivo focar a noção de ‘gente’ sob três prismas complementares: onomásticas, coletividades e socialidades. Sob o primeiro, será abordado o modo como a noção de gente aparece nos sistemas nominativos sul-americanos compondo nomenclaturas que expressam diferentes modos de qualificar cada ‘tipo’ de gente nomeada. Sob o segundo prisma serão discutidas as propriedades das ‘coletividades’ que se constituem com base nessas práticas nominativas. Por fim, à quais concepções outras do ‘social’ a noção de ‘gente’ presente no pensamento ameríndio nos conduz, é a questão a ser tratada sob o prisma das ‘socialidades’. Para tanto este curso prevê um cronograma de atividades voltado para leituras e discussões de materiais etnográficos sob um viés comparativo.
Justificativa
Depois que a antropologia passou a problematizar seus conceitos de sociedade e de cultura como totalidades autocontidas, a etnologia americanista em particular, assumiu que noções como tribo e etnia não podem almejar a universalidade antropológica originalmente pretendida, sob o risco de reificarem unidades de análise questionáveis do ponto de vista das ontologias ameríndias. Desde então, abriu-se todo um campo de análises preocupadas em relativizar tais conceitos. Nesta linha surgiram pesquisas sobre os modos propriamente indígenas de nomear, contrastar e distinguir coletivos de ‘gente’. É deste campo que este curso se ocupa, propondo não apenas um estudo da literatura pertinente com vistas a uma abordagem comparativa, como um diálogo com as demais pesquisas atualmente em andamento, que possibilite novos avanços sobre o tema.
Conteúdo
1. As onomásticas: estudo de sistemas nominativos
O objetivo deste tópico é o de explorar a diversidade de sufixos existentes para designar ‘gente’ ou ‘povo’, e a partir daí proceder à escolha de quais conjuntos onomásticos serão discutidos comparativamente. À primeira vista, o nordeste e noroeste amazônico se mostram interessantes neste sentido. No primeiro caso, temos os sufixos caribe -yana, -yó, -koto e –so, que se encontram entre os povos de língua karib das Guianas. No segundo caso, temos os sufixos –deni, –madi e -dawa (entre povos de língua Arawa), os –dyapa (Kanamari e Katukina), e os -nawa (entre povos de língua pano), dentre outros a serem considerados. Diante desta recorrência no uso de sufixos que, de língua em língua, atravessam a Amazônia indígena e que funcionam como pluralizadores utilizados para diferenciar coletividades, a inevitável pergunta é: que relação poderia existir entre eles?
2. As coletividades: estudo de taxonomias sociais nativas
Neste tópico partiremos de estudos que tratam dos meios empregados entre os sul-ameríndios para se nomear e constituir identidades coletivas. Serão contemplados aqui estudos de sistemas nominativos indígenas por meio dos quais se qualificam e classificam diferentes tipos de ‘gente’ que não conformam exatamente aquilo que chamamos de ‘grupos’, mas que dizem respeito a outras configurações sociológicas, cuja compreensão constitui justamente um dos maiores desafios deste campo de investigação.
3. As socialidades: discussões recentes
Cada vez mais as etnografias que tratam dos nomes e das taxonomias sociais nativas têm revelado que as onomásticas indígenas e as coletividades que elas nomeiam não se adaptam bem às noções de ‘grupo’, ‘etnia’ e ‘sociedade’, mas trazem à tona outras noções culturalmente específicas que apontam para outro tipo de pensamento sobre o que é o social e sobre as relações sociais. Este descompasso entre conceitos de origens distintas tem sido fonte de muitos incômodos de ordem teórico-etnográfica por parte dos americanistas que se defrontam com essa temática e de discussões em torno das possíveis saídas. Neste tópico serão abordados trabalhos voltados para esse debate em torno de como os ameríndios pensam o social, as relações sociais e isso que chamamos de ‘sociedade’.
Avaliação
Seminário e trabalho
Bibliografia
BUTT-COLSON, Audrey - “The spatial component in the political structure of the Caribe speakers of the Guiana highlands: Kapon and Pemon” In Antropologica, 1983-1984, 59-62: 73-124.
COELHO DE SOUZA, M.S. – “Nós os Vivos: ‘construção do parentesco’ e ‘construção da pessoa’ entre alguns Jê. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 46, p. 69-96, 2001.
DREYFUS-GAMELON, Simone –Os Empreendimentos Coloniais e os Espaços Políticos na Guiana Ocidental (entre o Orenoco e o Corentino) de 1613 a 1796 In Amazônia: Etnologia e História Indígena. São Paulo: NHII/USP/FAPESP, 1993.
ERIKSON, Philippe– Une nebuleuse compacte: lê marco-ensemble pano In La remontée de l’Amazone: anthropologie et histoire des sociétés amazoniennes. L´Homme, 1993. 126-128, pp: 45-58
________________ - “Qu’est-ce qu’un ‘ethnonyme’?: L'exemple matis (Amazonas, Brésil)”. In Cahiers Amérique Latine Histoire et Mémoire/Saint-Denis, Université de Paris 8, n° 10, 2004.
FARAGE, Nádia - As muralhas dos sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a Colonização - Rio de Janeiro: Paz e Terra/Anpocs, 1991.
FAUSTO, Carlos. Donos demais: maestria e domínio na Amazônia. Mana [online]. 2008, vol.14, n.2 [cited 2010-05-26], pp. 329-366.
FOCK, Niels– Waiwai. Religion and Society of na Amazonian Tribe. National Museum of Denmark, Ethnographic Series, 8, 2008.
FRIKEL, Protásio – Classificação lingüístico-etnológica das tribos indígenas do Pará setentrional e zonas adjacentes In Revista de Antropologia, 1958, 6: 113-189
GALLOIS, Dominique T. (Org.) – “Gêneses wajãpi, entre diversos e diferentes” In: Revista de Antropologia, 2007, vol. 50, n. 1.
GOW, Peter - Of Mixed Blood - New York: Clarendon Press/Oxford, 1991.
___________ - “Piro, Apurinã, and Campa: Social Dissimilation and Assimilation as Historical Processes in Southwestern Amazonia”. In: Jonathan D. Hill & Fernando Santos-Granero (eds.). Comparative Arawakan Histories : Rethinking Language Family and Culture Area in Amazonia. Urbana & Chicago : University of Illinois Press. 1991, pp. 147-170.
GRUPIONI, Denise Fajardo – ‘Comparando taxonomias sociais, investigando noções de gente’ Paper apresentado na VIII RAM, Buenos Aires, 2009.
HOWARD, Catherine - “Pawana: a farsa dos ‘visitantes’ entre os Waiwai da Amazônia setentrional. In: Eduardo Viveiros de Castro & Manuela Carneiro da Cunha (orgs.). Amazônia: etnologia e história indígena. São Paulo: NHII-USP/FAPESP. pp. 229-264.
JARA, Fabíola - Monos y roedores. Rito, cosmologia y nociones zoologicas de los Turaekare de Surinam in América Indígena, 1988, vol. XLVIII, n. 1.
LAGROU, Elsje – ‘O que nos diz a arte kaxinawa sobre a relação entre identidade e alteridade? In Mana, 2002, vol.8 no.1
PASSES, Alan – ‘Not alone in the multiverse: borrowing from others, remining Pa’ikwené (Palikur) Paper inédito apresentado no Colóquio Guiana Ameríndia. Orgs.NHII/USP & EREA/CNRS, Bélem/PA, 2006.
RIVIÈRE, Peter - An etnographic survey of the indians on the divide of the guianese and amazonian river sistems. Oxforf, University of Oxford, 1963.
SÁEZ, Oscar Calavia – O nome e o tempo dos Yaminawa Tese de Doutorado. PPGAS/FFLCH/USP. São Paulo,1994.
___________________ – ‘Nawa, Inawa’ Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, 2002, v.4, n.1, PP. 35-37.
___________________ – O nome e o tempo dos Yaminawa. São Paulo: UNESP: ISA; Rio de Janeiro: NuTI, 2006
SANTILLI, Paulo – Os Macuxi: História e Política no Século XX. Dissertação de Mestrado. IFCH/Departamento de Ciências Sociais/UNICAMP. Campinas, 1989.
_______________ – Pemongon Patá: Território Macuxi, Rotas de Conflito. Tese de Doutorado. FFLCH/PPGAS/USP. São Paulo, 1997.
TAYLOR, Anne-Christine – ‘L’art de la reduction. La guerre et les mécanismes de la différentiation tribale dans la culture jivaro’. In Journal de la Société des Américanistes, 1985, LXXI, pp: 159-173
TOLA, Florência - Revisando las clasificaciones tobas (qom) de los colectivos humanos. Paper inédito apresentado no GT “Discutindo fronteiras grupais, étnicas e societárias na Amazônia Indígena” VII RAM Mercosul, Porto Alegre, 2007.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo – Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana – Estudos de Antropologia Social. Rio de Janeiro, Museu Nacional/UFRJ, 1996, v. 2, p. 115-144
__________________________ - O Nativo Relativo. Mana – Estudos de Antropologia Social, Rio de Janeiro, 2002, vol. 8, número 1. pp. 113-148.
WAGNER, Roy - “Are There Social Groups in the New Guinea Highlands?”. In: J. M. Leaf (ed.). Frontiers of Anthropology. New York: D. van Nostrand. 1974, pp. 95-122.
_____________ – The Fractal Person In Godelier e Strathern (orgs.) Big men and great men: personification of power in Melanesia. Cambridge Univ. Press. Sciences de l´Homme. 1991, pp: 159-173.
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL
Disciplina:
Noção de ‘gente’ no pensamento social ameríndio. Leituras de etnologia comparada.
Créditos - Aula: 4 / Trabalho: 4 / Total: 8
Docente responsável: Profa. Dra. Denise Fajardo Grupioni
Período: 2o Semestre/2010
Início: 09/08
Objetivos:
Este curso tem por objetivo focar a noção de ‘gente’ sob três prismas complementares: onomásticas, coletividades e socialidades. Sob o primeiro, será abordado o modo como a noção de gente aparece nos sistemas nominativos sul-americanos compondo nomenclaturas que expressam diferentes modos de qualificar cada ‘tipo’ de gente nomeada. Sob o segundo prisma serão discutidas as propriedades das ‘coletividades’ que se constituem com base nessas práticas nominativas. Por fim, à quais concepções outras do ‘social’ a noção de ‘gente’ presente no pensamento ameríndio nos conduz, é a questão a ser tratada sob o prisma das ‘socialidades’. Para tanto este curso prevê um cronograma de atividades voltado para leituras e discussões de materiais etnográficos sob um viés comparativo.
Justificativa
Depois que a antropologia passou a problematizar seus conceitos de sociedade e de cultura como totalidades autocontidas, a etnologia americanista em particular, assumiu que noções como tribo e etnia não podem almejar a universalidade antropológica originalmente pretendida, sob o risco de reificarem unidades de análise questionáveis do ponto de vista das ontologias ameríndias. Desde então, abriu-se todo um campo de análises preocupadas em relativizar tais conceitos. Nesta linha surgiram pesquisas sobre os modos propriamente indígenas de nomear, contrastar e distinguir coletivos de ‘gente’. É deste campo que este curso se ocupa, propondo não apenas um estudo da literatura pertinente com vistas a uma abordagem comparativa, como um diálogo com as demais pesquisas atualmente em andamento, que possibilite novos avanços sobre o tema.
Conteúdo
1. As onomásticas: estudo de sistemas nominativos
O objetivo deste tópico é o de explorar a diversidade de sufixos existentes para designar ‘gente’ ou ‘povo’, e a partir daí proceder à escolha de quais conjuntos onomásticos serão discutidos comparativamente. À primeira vista, o nordeste e noroeste amazônico se mostram interessantes neste sentido. No primeiro caso, temos os sufixos caribe -yana, -yó, -koto e –so, que se encontram entre os povos de língua karib das Guianas. No segundo caso, temos os sufixos –deni, –madi e -dawa (entre povos de língua Arawa), os –dyapa (Kanamari e Katukina), e os -nawa (entre povos de língua pano), dentre outros a serem considerados. Diante desta recorrência no uso de sufixos que, de língua em língua, atravessam a Amazônia indígena e que funcionam como pluralizadores utilizados para diferenciar coletividades, a inevitável pergunta é: que relação poderia existir entre eles?
2. As coletividades: estudo de taxonomias sociais nativas
Neste tópico partiremos de estudos que tratam dos meios empregados entre os sul-ameríndios para se nomear e constituir identidades coletivas. Serão contemplados aqui estudos de sistemas nominativos indígenas por meio dos quais se qualificam e classificam diferentes tipos de ‘gente’ que não conformam exatamente aquilo que chamamos de ‘grupos’, mas que dizem respeito a outras configurações sociológicas, cuja compreensão constitui justamente um dos maiores desafios deste campo de investigação.
3. As socialidades: discussões recentes
Cada vez mais as etnografias que tratam dos nomes e das taxonomias sociais nativas têm revelado que as onomásticas indígenas e as coletividades que elas nomeiam não se adaptam bem às noções de ‘grupo’, ‘etnia’ e ‘sociedade’, mas trazem à tona outras noções culturalmente específicas que apontam para outro tipo de pensamento sobre o que é o social e sobre as relações sociais. Este descompasso entre conceitos de origens distintas tem sido fonte de muitos incômodos de ordem teórico-etnográfica por parte dos americanistas que se defrontam com essa temática e de discussões em torno das possíveis saídas. Neste tópico serão abordados trabalhos voltados para esse debate em torno de como os ameríndios pensam o social, as relações sociais e isso que chamamos de ‘sociedade’.
Avaliação
Seminário e trabalho
Bibliografia
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